O rapaz do cabelo em pé tentou tranquilizar-me ao máximo enquanto viajávamos para um sítio , ainda, desconhecido para mim.
Chegámos finalmente, após alguns minutos que pareceram horas sem fim, a uma rua ladeada de prédios todos iguais... parecia ser um mundo, todo igual, sem fim... para onde quer que olhasse via o mesmo prédio repetir-se vezes sem conta...
Entrámos para um desses edifícios, difícil de situar ou descrever pois, naquele lugar tudo era igual. Parecia haver gente à nossa espera pois, mal entrámos o meu cachorrinho foi colocado numa maca e levado para lá das portas brancas que dividiam a sala de espera do consultório de animais.
Sentei-me a tiritar de frio com a certeza de que não me escapava de uma constipação...
O rapaz do boné, olhando-me com pena, despiu o seu casaco gigante e deu-mo para que me pudesse aquecer.
- Danke. (Obrigado.) - agradeci.
- Bitte. (De nada.)
O outro, que apreciara verdadeiramente o gesto do irmão, inquiriu-me se por acaso a minha família sabia onde eu estava ao que respondi negativamente.
Estendeu-me o seu telemóvel para que ligasse a alguém dizendo onde estava.
Assim fiz. Falei durante uns minutos em português com o meu cota sob o olhar atento dos dois rapazes que, perfeitamente se via, não entendiam uma única palavra daquele estranho idioma. Por fim desliguei, mais descansada, e agradeci ao rapaz do cabelo electrizado com um sorriso que ele carinhosamente me retribuiu.
Apareceu uma enfermeira que me informou da necessidade do Lucky permanecer umas horas no veterinário a fim de se recompor.
Estava disposta a esperar.
Voltei-me então para os rapazes e mais uma vez agradeci-lhes:
- Viel danke. (Muito obrigado.) - Bis bald. (Até breve.)
- Bis bald? - interrogou-se o de cabelo em pé parecendo ter apanhado um choque ainda maior... Nein!, (Não!) - disse em voz de comando
- Komm mit uns! (Vem connosco!) - Du kannst nicht allein sein! (Não podes estar só!)
Foi impossível recusar pois receei que o rapaz começasse a chorar embora a sua voz fosse de comando.

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